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| foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press |
Depois de muitas idas e vindas no campo regulatório
a respeito da retomada de voos de jatos no Aeroporto da Pampulha, o terminal
situado na capital mineira recebeu finalmente seu primeiro voo de grande porte
nesta segunda-feira, 22/01/2018. O voo da Gol pousou no Aeroporto da Pampulha às 8h55 desta segunda-feira com cerca de 30 passageiros, entre eles o presidente da Infraero, Antônio Claret de Oliveira, como informa o site TudoViagem.
A presença do presidente da Infraero no voo só
evidencia a importância dada à retomada da Pampulha pela empresa, que trava uma
briga de cachorro grande com a BH Airport, empresa que administra o Aeroporto de
Confins e não vê com bons olhos a volta desta alternativa para os viajantes
mineiros.
O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou recentemente a suspensão da retomada de voos interestaduais no Aeroporto da Pampulha. A decisão afetou diretamente a Gol, única empresa que já havia obtido autorização para
operar a rota entre Congonhas (CGH) e Pampulha (PLU), cujo voo direto inaugural
ocorreria neste dia 22. Para driblar este obstáculo, a empresa inventou umaescala relâmpago da aeronave no Aeroporto da Zona da Mata (IZA), em Juiz deFora.
Com a parada de 15 minutos neste aeroporto dentro
do estado de Minas Gerais, a Gol dribla o veto do TCU, visto que o trecho que
pousa na Pampulha passa a ser considerado um voo regional. Em outras palavras,
uma escala “Tabajara”, pra inglês ver, ou para o TCU fingir que não vê o que
ocorre de verdade.
Na prática, a Gol fez uma gambiarra para viabilizar
a rota CGH-PLU, mesmo que com isso tenha que estender a duração total do
trajeto para quase duas horas de viagem. A pergunta que fica é: será que vale a
pena? Neste caso, é preciso analisar algumas variáveis.
Para isso, vamos comparar duas pesquisas feitas
nesta data de passagem de ida, partindo de CGH. A data escolhida foi uma
sexta-feira, 02/02/2018.
Primeiro para PLU:
A disponibilidade de voos para Pampulha é pequena.
São apenas dois voos diários. Um bem cedo e outro quase no fim da tarde. Neste
dia há uma tarifa muito boa e outra bem cara. Conferindo as demais datas,
percebe-se que a disponibilidade dessa tarifa mais barata não é das maiores.
Agora para CNF:
Já para Confins a disponibilidade de voo é bem
maior. Neste dia, são seis voos. As tarifas estão todas um pouco mais altas que a tarifa
mais barata da Pampulha, mas com muito mais ofertas. Existem também valores
próximos da tarifa mais alta praticada no aeroporto menor.
A expectativa que a Pampulha tivesse tarifas mais
caras que Confins, por ser um aeroporto mais central, parece ser confirmar,
pois quase não há gradação entre os dois valores encontrados. Então deve haver
bem poucos assentos baratos, com grande número de assentos muito caros.
Sobre o tempo de viagem, muito se critica que
Confins é um aeroporto muito afastado da cidade, e que o transporte até o
centro de Belo Horizonte demora cerca de uma hora, além de não ser exatamente
barato. Acontece que a escala em Juiz de Fora acabou aumentando o tempo de voo
que não deveria passar de uma hora para quase duas horas. Isso praticamente
anula a vantagem de tempo que se esperava de um voo direto para PLU.
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| Aeroporto fica ao lado da Lagoa da Pampulha |
Quanto à comodidade da localização do aeroporto,
vale lembrar que a Pampulha é sim muito mais perto do centro de Belo Horizonte,
mas também na é exatamente “perto de tudo” na capital mineira. Se o passageiro
tiver, por exemplo, um compromisso na Cidade Administrativa do Estado de Minas
Gerais, CNF continua sendo a melhor opção.
Desta forma, a escolha entre uma rota ou outra vai
depender muito das necessidades do passageiro, de qual sua demanda quanto aos horários, qual a sua programação na cidade e também qual a disponibilidade de
assentos e de boas tarifas na data de sua viagem.
Por fim, pudemos perceber que a Gol não está
vendendo passagens na rota CGH-PLU a partir de 5 de fevereiro, como também
mostra a imagem acima. Talvez ainda esteja avaliando os primeiros voos para ver
se a rota se consolida como realmente atrativa para os passageiros e
economicamente viável para a empresa.
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| Jeitinho brasileiro |
De qualquer forma, o “jeitinho” encontrado pela Gol
para voltar ao Aeroporto da Pampulha só não pode ser chamado de trapaceiro
porque se situa bem à margem da legalidade, mas aparentemente dentro de seus
limites. Uma pena que, diante de tanta confusão administrativa e incerteza
jurídica, uma empresa precise fazer uso de artimanhas como esta pra poder
operar. Certamente todos acabam gastando mais tempo e dinheiro trabalhando
desta forma, com prejuízos a todos.
E depois as pessoas se perguntam as razões de
o chamado “Custo Brasil” ser tão elevado.






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