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| Créditos: Netflix |
A história abrange o período entre a escolha do alemão Joseph Ratzinguer como Bento XVI e vai até a consagração de Jorge Bergoglio como Papa Francisco. Neste meio tempo, muitas cenas se propõem a evidenciar as diferenças entre eles. Bento XVI é retratado como conservador e cerebral. Já o futuro Francisco é vendido como questionador e carismático.
Com um início muito fiel a esse viés, o filme quase resvala num maniqueísmo raso, em que o argentino praticamente é a Rutinha (boa) e o alemão é a Raquel (malvada). Mas, com o passar do tempo, conflitos são revelados e os dois já não se mostram tão distantes assim. Dois Papas tem o mérito de humanizar essas figuras tidas supostamente como infalíveis, mas plenamente cientes de sua condição de homens sujeitos a cíticas e erros.
A produção tem por base o talento dos seus atores principais, já que quase toda história é formada por diálogos entre eles. Jonathan Pryce interpreta um convincente Bergilio, enquanto Anthony Hopkins parece a personificação de Ratzinguer. As caracterizações são tão fiéis que, ao final do filme, o espectador até tem dificuldade de se lembrar exatamente do rosto dos pontífices verdadeiros.
Dois Papas é um tipo de filme que, em alguns aspectos, se assemelha a Titanic. Você sabe como a história começa e como termina. Sabe também que as cenas não podem ser um retrato fiel da realidade. Mesmo assim, se entretém assistindo uma ótima representação sobre como as coisas podem ter acontecido.

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