O Grande Prêmio da Hungria não foi uma corrida repleta de
emoções. Pelo menos, não para os espectadores. Por outro lado, a coisa ferveu
mas três principais equipes, que tiveram que administrar entreveros com sua
dupla de pilotos.
Max Verstappen conseguiu a proeza de fechar o habitual largo
sorriso de Daniel Ricciardo com um toque na largada que tirou o australiano da prova
bem no seu início. Max, que continuou na prova e manteve um bom ritmo de
corrida, terminou em quinto mesmo sendo punido com um “stop and go” de 10
segundos. Daniel, muito irritado, declarou ainda durante a prova: “Veremos se
ele vai reagir como alguém da idade dele ou como um homem”. Não vi maldade na
batida do jovem holandês, mas talvez uma certa afobação que custou a corrida de
seu companheiro de equipe. Max já não é exatamente um novato e, com o passar do
tempo, erros assim se tornam cada vez menos tolerados. Seria bom a Red Bull
esconder seus energéticos por um tempo e introduzir um chá de camomila no
cardápio pra acalmar os ânimos internos.
Pelo resto da corrida os destaques foram para as posturas
de Ferrari e Mercedes quanto ao posicionamento de seus pilotos da pista e a
possibilidade de ordens de equipe para mudanças de posições na pista. Cada uma
agiu de forma diferente.
A Ferrari tinha Sebastian Vettel em primeiro e Kimi Raikkonen
em segundo, porém mais rápido e sofrendo pressão das Mercedes que vinham atrás.
Apesar de insistentes reclamações do finlandês, a equipe determinou que seus
pilotos mantivessem as posições, favorecendo o alemão deliberadamente. No
discurso, porém, nenhum sinal de um mal disfarçado jogo de equipe em favor do líder
do campeonato mundial.
Já a Mercedes tinha Valteti Bottas em terceiro e Lewis Hamilton
em quarto quando determinou uma troca de posições na pista em favor do
britânico, para que este pudesse atacar Kimi logo à frente. Prometeu que a posição
seria devolvida se a empreitada não funcionasse. Hamilton pressionou bastante,
mas não conseguiu a segunda posição. Na última volta, mesmo tendo uma vantagem
de mais de 5 segundos para Botas, desacelerou até que o companheiro o passasse
a poucos metros da bandeirada e conseguisse um lugar no pódio.
Após a disputa de metade do campeonato, resta claro quem
são os protagonistas e os coadjuvantes na disputa de pilotos. Kimi, que já foi
beneficiado pela mesma política ferrarista em 2007 e está bem atrás na tabela,
não tem do que reclamar. Apenas pontua muito bem a situação para garantir a
renovação de sua vaga em 2018. Já Bottas, novato e sem contrato garantido,
também vai ficar miudinho na Mercedes, mesmo ainda estado (teoricamente) na
briga pelo título.
Os estilos diferentes dos times escancaram um mesmo
pensamento: manda quem pode e obedece quem tem juízo, sedo que os pilotos de
Ferrari e Mercedes são peças bem adestradas e movimentadas pelos comandos de
cada equipe.
Pelo visto, algumas coisas não mudam mesmo na “nova Fórmula
1”. De novidade mesmo, apenas a bem humorada ilustração de Fernando Alonso,
desejando boas férias de verão, na sua já lendária pose de descanso de Interlagos
2016, reproduzida diante do pódio. Vamos ver como as coisas vão retornar daqui
a quatro semanas, no GP da Bélgica.
Crédito das imagens: TV Globo e Globo.com

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