A volta do Aeroporto da Pampulha



Ao que tudo indica, essa medida foi adotada em um pacote de concessões do governo Temer para evitar a aceitação de denúncia feita contra ele pela Procuradoria-Geral da República. Pelo mesmo motivo, o Aeroporto de Congonhas saiu as lista de privatizações previstas no setor aéreo. Tudo feito para agradar um partido político com influência na Infraero. Os motivos da medida, ao que tudo indica, são podres. No entanto, avalio como positivo este “efeito colateral” das suspeitas negociatas palacianas.

É uma vergonha que Belo Horizonte deixe subutilizado seu aeroporto central, que tem total capacidade técnica para receber com segurança voos com jatos de maior porte. Há sim problemas de infraestrutura no seu prédio, que sofreu alagamentos há poucos anos. As instalações são acanhadas para receber muitas pessoas ao mesmo tempo. Esse é um gargalo a ser enfrentado e solucionado, mas não pode servir como impedimento a esta retomada.

Há de se ressaltar que o Aeroporto de Confins melhorou muito desde a sua privatização. Ele foi ampliado, ganhou novos terminais, mais pontos de atendimento e dezenas de facilidades. Está maior, mais moderno e mais agradável. Mas continua longe, muito longe, da região central da cidade. Muitas vezes gasta-se mais tempo no trânsito a Confins que dentro do avião, dependendo do destino da viagem.

O problema não é exatamente a distância, mas a falta de acesso facilitado ao local. O panorama seria completamente outro se, por exemplo, o metro fosse estendido até o Aeroporto de Confins, se tornando uma opção rápida e acessível de transporte público para lá. 


Já existe grande números de pedidos de novas rotas a serem operadas na Pampulha a partir desta nova medida. Não se sabe quantos deles serão atendidos, nem quais os valores das passagens a serem cobradas. Talvez a maior oferta acabe baixando os preços atuais. Também pode acontecer, pelo contrário, de os novos voos serem mais caros, por se tratar de um aeroporto central (repetindo o que acontece usualmente com Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, ou com Galeão e Santos Dumont, no Rio de Janeiro.)

O assunto é polêmico e há argumentos fortes contra e a favor de uma maior utilização da Pampulha com voos de maior porte. No entanto, isso não deve levar a uma visão reducionista de que o funcionamento de um é incompatível com a existência do outro.  A questão posta é como aumentar o uso da Pampulha de modo que os passageiros tenham uma alternativa viável de viagem e sem inviabilizar Confins.

Exemplos nacionais (São Paulo e Rio de Janeiro, já citados) e estrangeiros (Buenos Aires, que tem Ezeiza e Aeroparque) mostram que é sim possível a coexistência de um aeroporto central de menor porte e um aeroporto internacional mais afastado. Resta saber como as autoridades responsáveis tratarão desse tema que, se bem organizado, pode trazer muitos benefícios para a população de Belo Horizonte.

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