Paris 6 (horas de espera!)

P6BH

Esta semana foi inaugurada a filial mineira do badalado restaurante Paris 6, que já atende regularmente no Rio, em São Paulo e em Porto Alegre. Ele foi montado no Pátio Savassi, bem na saída da Rua Lavras, em frente ao Burguer King. Como já conhecíamos as versões carioca e paulista do lugar, eu e David resolvemos ir ontem na novata de BH, principalmente pra matar as saudades do Grand Gateau, sua sobremesa mais famosa e apreciada.

19:15. Chegamos ao Pátio Savassi. Uma mega fila na porta do restaurante. Normal, já que é novidade, muita gente a fim de conhecer... Só não contava que a fila não era pra entrar no Paris 6. A fila era pra entrar... NA FILA DE ESPERA DO PARIS 6! O restaurante usa um aplicativo que cria uma fila virtual, e que te avisa quando sua mesa está disponível.Quando chega a mensagem, você tem três minutos pra se apresentar, ou então perde a vez. Havia apenas uma pessoa pra cadastrar todos os pretendentes às 100 mesas do lugar.

A tentação do Burger King mora ao lado.

20:15. Depois de uma hora, conseguimos a grande vitória de conseguir entrar na fila virtual (até porque algumas pessoas já desistiam de entrar nesta fase). São 186 mesas na nossa frente, nenhuma previsão de chamada. Já que nossa vontade era mesmo de comer apenas a sobremesa, que tal comer algo antes em outro lugar? Saímos pela Savassi e paramos no Bar Ideal. Costela e outros petiscos pra forrar o estômago e passar o tempo. “Será que dá tempo de comer e voltar?” Parece que ouço Cumpadre Washington me alertando...

"Sabe de nada, inocente!"

21:30. Já de volta ao Pátio Savassi, a fila do lado de fora ainda estava enorme. A fila virtual indicava umas 150 mesas na nossa frente. Surge a ideia de ver o que está passando nos cinemas. Vai começar “A Lenda do Tarzan 3D”. E se a fila andar muito rápido? Ah, vamos ver mesmo assim! E sem pipoca, já que a barriga estava saciada.

Sobre o filme. O Tarzan saltando nos cipós entre as árvores não estava muito diferente do Homem Aranha soltando teias entre os prédios da cidade grande. Transformaram o homem das selvas em um Super Homem bombado, que se comunica com os animais, quase que por telepatia. Pega um pouquinho de Capitão América, misturado com Professor Xavier e Dr. Dolittle, bate tudo na selva africana e deixa o pau quebrar! Suficiente pra duas horas de distração.

"Jane, cadê a minha whey protein?"

23:40. De volta ao Paris 6. Ainda tem bastante gente na porta. O portão de ferro do shopping já está baixado. Pessoas espalhadas pelo corredor, de olho no celular e na fila virtual. São cerca de 100 mesas na nossa frente ainda. Será que vai? Agora é questão de honra. Uma hora vai!

Dá pra notar a animação da galera!

00:10. A fila avança devagar. Parece ter menos gente de verdade na espera. Muitas pessoas já tinham desistido, mas seu lugar “virtual” ainda estava ocupado. Tem que chamar, esperar, cancelar, pra depois chamar o seguinte. Quem não parece esperar é o pessoal do Patio, que apagou algumas das luzes do corredor. Demorou um pouquinho pra ligarem de novo. E e já estava me sentindo suuuper bem tratado...

Já está tarde! Que horas vão começar a distribuir as havaianas?

00:50. A fome já estava de volta. Resolveu fazer companhia ao cansaço, ao tédio e à teimosia. Resolvemos que já que esperamos tanto, vamos comer um prato também, aproveitando um voucher de desconto distribuído online dias antes. Amizade na fila pra passar o tempo e a frustração. Sete mesas de verdade esperando no corredor do shopping (devia ter umas quatro mesas esperando do lado de fora do Patio) e mais de 50 na fila virtual. Carga do celular já estava em 10%. A paciência um pouco menos que isso. Pessoal começa a pressionar mais a hostess, pois não havia sentido esperar um monte de clientes fantasmas online, fazendo nós, verdadeiros zumbis, passarmos fome com mesas vazias. Não, nenhum cérebro disponível pra tira-gosto.

01:25. Finalmente uma pessoa abençoada percebe que àquela altura do campeonato era melhor colocar pra dentro os remanescente. Depois pude conferir no aplicativo que este ato nos poupou de mais uns oito minutos de espera. Demorou? Imagina...

Ambiente bonito. Mas que não esconde falhas bem mais graves.

01:30. Pedimos os pratos que já tínhamos escolhido lá fora, antes de entrar. Os pratos lá têm nomes de artistas, esportistas, celebridades em geral. Uma grande graça de ir ao Paris 6 é poder falar depois “quem você comeu". (Paris 6ª série do ginásio...) Mas meu prato tinha o nome de “Mad House”, então pra mim perdeu um pouco a graça. David pediu “Tarcísio e Glória”, que já dava pra zoar bem mais. Bom humor era essencial.

02:00. Chegam os pratos. Excelentes! Dizem que a fome é o melhor tempero. Neste caso, nem precisava.

02:15. Pedimos as sobremesas. Um Grand Gateau “Bárbara Evans” pra comer lá mesmo e o cheesecake “Mariana Rios”, pra comer depois em casa.

03:00. Nada das meninas aparecerem. Só então a garçonete veio avisar que infelizmente não teria mais cheesecake, perguntando se a gente não queria pedir outra sobremesa. ÀQUELA HORA ELA VEIO AVISAR ISSO?!?! Preferimos não pedir nada e só esperar a outra.

03:20. Finalmente chega o grande motivo de tanta insistência. A grande estrela. A grande sobremesa. O Grand Gateau! A grande... DECEPÇÃO! Apresentação sofrível. O bolo totalmente assado, quando a característica do prato é exatamente a calda que deveria sair quando se coloca o picolé na massa sem assar totalmente. Nada parecido com as outras vezes que comemos no Rio ou em São Paulo. Foi pra isso que esperei tanto????

Cardápio de sobremesas. No alto, a Bárbara Evans, não deu bolo, mas VIROU BOLO!

Foi então que descobrimos que a casa tem um “chef de sobremesas”, que já tinha ido embora, e deixou os novatos com a receita nas mãos pra atender os últimos pedidos. Devolvemos o prato pela metade. Entregamos junto nossa frustração por inteiro.

RESUMINDO. A casa é linda. O ambiente é agradável. Os pratos estavam excelentes. As sobremesas foram uma frustração. E valeu a pena? NÃO. DEFINITIVAMENTE NÃO VAEU A PENA! O P6BH tem um excelente produto em mãos, mas não tem um décimo da competência pra lidar com uma demanda claramente acima de sua capacidade. E nenhum restaurante do mundo vale uma espera de mais de seis horas pra entrar, sem contar a demora da comida quando já se está instalado, por melhor que ela seja. Se tivesse pegado um voo pra São Paulo seria atendido mais rápido!

A experiência foi péssima e não volto tão cedo. Quem sabe depois que a modinha passar. Depois que o atendimento agilizar. Depois que alcançarem o mesmo padrão dos outros restaurantes da rede. O P6BH ainda tem MUITO o que melhorar, e sinceramente acredito que vão conseguir. Torço por isso. Vai levar algum tempo. Não tem problema. Eu sei esperar.

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