Xodó (quase) entrando numa fria


Belo Horizonte está passando por um período de frio intenso nas últimas semanas e que ainda deve durar por um bom tempo. Talvez por isso, o Xodó, uma das lanchonetes mais antigas, tradicionais e queridas da cidade, resolveu fazer um rodízio de milk shake (o estoque deve estar alto!). Mas o que era pra ser uma novidade bacana causou furor nas redes sociais por dois motivos. Primeiro, porque estabelecia preços diferenciados para homens e mulheres. Segundo, porque a promoção estabelecia o registro no documento de identidade definiria o valor pago por cada pessoa. Aí o Xodó pisou feio na bola, duas vezes.


Está em evidência o debate na sociedade brasileira sobre a ilegalidade de estabelecimento de preços diferenciados para homens e mulheres. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, divulgou uma orientação técnica no início do mês, em que veta a cobrança diferenciada para homens e mulheres em eventos e festas. Para o caso do rodízio, o pressuposto de que uma mulher tende a consumir menos que um homem representa um estereótipo ultrapassado, que não se sustenta em tempos de igualdade de direito e de deveres para ambos os sexos.

Pior ainda foi estabelecer que o valor a ser pago por cada um teria como critério o registro no documento de identidade. A lanchonete acabou cutucando um vespeiro de forma desastrada e desnecessária. Em pleno ano de 2017, restringir o restringir a identidade de gênero o registro civil é fechar os olhos ao atual estágio da sociedade, discriminar um grande número de pessoas e ofender o enorme público de LGBTs e simpatizantes que frequentam seus arredores todos os dias.

Demorou, mas parece que a ficha finalmente caiu, o Xodó voltou atrás. Modificou o evento, estabeleceu preço único para todas as pessoas e pediu desculpas à população. Eis o comunicado:


Ainda bem que perceberam a fria em que estavam se metendo e resolveram acertar as coisas a tempo. Estava feio pra um lugar tão bacana e tão tradicional. O mundo mudou muito desde 1962, e saber mudar com ele é um avanço. A sociedade está de olho, atenta e pressionando. No fim das contas, importa menos se a questão é realmente de conscientização da empresa ou apenas de business mesmo. Importante é o respeito às pessoas e ao direito. Isso não pode faltar em nenhuma ocasião.

Fonte da notícia: BHAZ

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