Game of Thrones s7e06 - Penúltimo capítulo de novela



ALERTA: Este texto trata de acontecimentos do episódio 06 da temporada 7 de Game of Thrones. Como já passou na televisão do mundo todo, inclusive do Brasil, não considero haver nenhum SPOILER. Mas vale avisar que se você não assistiu ao episódio e não quer saber o que aconteceu, pode parar de ler por aqui.

O penúltimo episódio da temporada de Game of Thrones prometia ser arrebatador, tanto pelo histórico de grandes acontecimentos em penúltimos episódios de temporadas anteriores quanto pela expectativa de uma grande batalha entre o Esquadrão Suicida de Jon Snow versus o exército walking dead do Rei da Noite. Na verdade, a maior parte do longo episódio foi mesmo em torno desta batalha, mas teve também mais coisas acontecendo pelos lados de Westeros.


O estranhamento entre Arya e Sansa atinge seu ápice em Winterfel. A irmã mais velha entra no quarto da mais nova a procura da mensagem escrita na primeira temporada e dá de cara com uma bolsa cheia de rostos (e tem gente que se acha super esperta por ser “duas caras”...). Arya chega e a conversa entre as duas é repleta de tensão. A pequena assassina abusa do olhar amedrontador e sugere até a possibilidade de matar a irmã pra ficar no seu lugar. Não imagino que ela pensasse realmente nesta possibilidade. Na verdade, as duas estão mesmo se testando e checando até que ponto vai a lealdade delas à Casa Stark. Seria muito frustrante ver a intriga de Mindinho separar as duas assim tão facilmente.

Sansa ainda recebe um pedido de audiência de Cersei e resolve mandar Brienne no seu lugar. Ela se sente segura em Winterfell a ponto de mandar sua fiel defensora para longe. O ela não tem noção dos perigos que corre no seu próprio castelo ou enxerga melhor que todos os demais as intrigas que estão acontecendo. A conferir.


Em Pedra do Dragão o papo também não é dos mais amistosos entre Tyrion e Daenerys. Já não é de hoje que a Mãe dos Dragões não em total confiança nas palavras de sua Mão. Não exatamente com receio de uma traição, mas sim da efetividade dos conselhos dados. Ele tenta, a todo custo, conter a sana pirotécnica de sua Rainha, mas agir com parcimônia não trouxe a ela os melhores resultados na guerra. O anão também já percebeu o clima pintando entre ela e Jon Snow, no melhor estilo “love is in te air”.

Isso é o que se pode extrair da estória fora dos acontecimentos além da muralha, os quais foram a razão de ser deste episódio, que não teve uma cena sequer de Porto Real, por exemplo.


Já do outro lado da muralha, os diálogos entre os integrantes do Esquadrão Suicida reforçaram a ideia de que, apesar das diferenças entre eles (que em muitas oportunidades estiveram em lados opostos das batalhas em Westeros) eles estavam unidos na luta contra um mesmo inimigo, que representa uma ameaça maior e mais grave contra todos eles.

Eis que, de repente, surge um caminhante branco com alguns mortos vivos passeando de bobeira e a turma vai toda pro combate. A grande sacada desta luta é o momento em que Jon Snow mata o caminhante branco e, imediatamente, quase todos os outros mortos vivos... morrem! (Ok, é meio idiotice falar em “matar” um “morto vivo”, mas é assim mesmo que funciona.) Convenientemente resta apenas um “vivo” no bando, exatamente o que eles precisam leva de volta ao sul pra seguir adiante no plano infalível do Cebolinha (Maurício de Souza feelings).


Aí que o bicho pega de verdade, já que aparecem o Rei da Noite com e uns poucos outros caminhantes brancos, trazendo com eles todo o elenco de todos os episódios de todas as temporadas de The Walking Dead.

A partir deste momento as coisas passam a acontecer tão rápido que o episódio ganha muito em ação, ma mesma medida em que perde um bocado de coerência.


Gendry é destacado para correr para a muralha para enviar um corvo à Pedra do Dragão pedindo ajuda. O Esquadrão Suicida fica encurralado numa pequena porção de terra cercada por um lago congelado, enquanto seus inimigos aguardam pacientemente ao redor. Daenerys recebe a mensagem e resolve partir em resgate da turma, mais uma vez ignorando conselhos de Tyrion em sentido contrário.


Thoros morre de frio. O Cão resolve jogar pedras nos inimigos e, inadvertidamente, deixa claro a eles que é seguro andar sobre o lago congelado. Os mortos vivos avançam. Luta daqui, luta dali. Tudo parece perdido para a turma dos ainda vivos. De repente, Daenerys aparece com seus três dragões para salvar o dia! Fogo daqui, fogo dali. Todos sobem em Drogo pra sair do lugar, menos Jon Snow, que insiste em lutar no chão, talvez achando que pudesse tentar chegar até o Rei da Noite.


Vem então uma das cenas emblemáticas do dia. O Rei da Noite, com pontaria certeira, atinge Viseryon com uma lança de gelo. O dragão cai morto e ainda afunda no lago gelado.


Jon insiste em não subir em Drogon e acaba caindo também no lago gelado, dando a impressão de que não conseguiria sobreviver. Sem ter como fazer mais nada, e ainda sob ameaça de novas lanças de gelo contra seus filhos, a Mãe dos Dragões parte com os sobreviventes e o morto vivo capturado.


Mas nós já aprendemos que personagem que cai na água não morre em Game of Thrones. Então Jon sai da água, recupera sua espada e continua batalhando sozinho. Luta daqui, luta dali. Tudo parece perdido o herói. De repente, Tio Ben aparece a cavalo para salvar o dia! Com sua adaga de fogo girando daqui e dali, ele resgata o sobrinho, o coloca no cavalo em direção à Muralha, enquanto fica sozinho pra terminar de morrer de vez.

Daenerys não quer ir embora e deixar Jon Snow pra trás, e espera até vê-lo chegando à Muralha no lombo do cavalo do Tio Ben. Já dentro do navio, no caminho de volta à Pedra do Dragão, Jon lamenta que o plano mirabolante tenha levado à morte de um dos dragões. Daenerys responde que se não fosse todo o acontecido ela não teria visto pessoalmente o exército do Rei do Norte. Agora ela tem exata noção do perigo e vai lutar para derrotar o inimigo maior.


Jon chama Daenerys de Danyy, e depois de “minha rainha”, finalmente dobrando os joelhos, ainda que em sentido figurado. O clima de romance fervilha e só faltou a trilha sonora de Celine Dion. Danny, digo, Daenerys não tira os olhos do abdômen rasgado (literalmente) de Jon, que continua com aquela cara danadinha de “sabe de nada”.


Pra finalizar, os walking dead aparecem resgatando Viseryon do fundo do lago gelado que, ao toque do Rei da Noite, volta à “vida”, desta vez como um dragão zumbi, de olhos azuis.


Comentário final:
Essa imagem eu vi primeiro no site do Tony Goes
Muita gente ficou decepcionada com o episódio, principalmente com uma certa incoerência temporal entre o ataque do Rei da Noite e a chegada salvadora de Daenerys e os dragões. Certamente, como a ação se passou ao norte da Muralha, onde é sempre tudo muito sóbrio, na se tem muita noção de quanto tempo se passou nesse intervalo. Mas ficou mesmo muito forçado.

A correria é uma marca dessa temporada. Há muitas coisas acontecendo muito rápido! À medida que as tramas vão se afunilando (até porque dezenas de personagens já morreram) o roteiro está se parecendo cada vez mais com a reta final de uma típica novela.

Inclusive o quesito romance, área que nunca foi o forte da série, está cada vez mais aflorado. Não apenas no já manjado #jonerys. Já repararam na torcida para que Bienne tenha um “final feliz”?

Glória Perez já afirmou certa vez, ao ser questionada sobre os furos no roteiro de uma de suas novelas: “pobre de quem não consegue voar”. Era uma defesa de sua obra contra quem lhe cobrava 10% de coerência de precisão. Era meio difícil engolir, por exemplo, como as pessoas iam do Rio para o Marrocos (ou a Índia, ou a Turquia...) num piscar de olhos. Mais ou menos como ir de Pedra do Dragão para além da Muralha. É mesmo preciso voar muito, e muito rápido, pra conseguir essas façanhas.

Por outro lado, não dá pra assistir novela ou série de TV como se fossem documentários. Importante é mesmo se divertir, se emocionar, torcer contra ou a favor de alguém. Forçar um pouco a barra faz parte, principalmente na reta final. Talvez por isso Game of Thrones está cada vez mais parecido com uma trama das nove da Globo. Enquanto a série cumprir de forma satisfatória sua função primordial, de entreter com qualidade, isso não é necessariamente uma coisa ruim.

Créditos das imagens (exceto da última): HBO

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